a escuridão é o fim

quando a luz apaga/acaba, é o fim chegando

ou

uma conversa sobre um jantar n'O Penhasco

vídeo 'acidental' gravado durante uma das reuniões de elenco do projeto No Penhasco: https://nopenhasco.wordpress.com/

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Essas pessoas na sala de jantar

Dando prosseguimento (ou início?) às postagens de jantares memoráveis, quero compartilhar o meu.

Minha família, tanto a do pai quanto a da mãe, sempre foi numerosa e por pelo menos duas vezes no ano reuníamos alguns membros da família para comemorar os feriados, geralmente no fim do ano.

Hoje em dia isso não acontece mais, e de repente me vejo sem resposta pra responder o porquê disso.
Quando esse exercício de memória foi proposto num dos jantares do projeto, essas imagens viajaram para o tempo presente imediatamente, de modo que não poderia falar de outras se não delas:

Recordo-me que numa dessas últimas ocasiões, eu deveria ter pouco mais de dez anos, minha mãe e minhas tias faziam pratos com comida brasileira, de repente as mesmas do dia-a-dia, porém incrementadas com recheios ou ingredientes que não me lembrava de comer no cotidiano. As carnes sempre estiveram na mesa também, de boi e de frango pelo menos, às vezes de porco. Douradas!

Os tios ajudavam nos intervalos entre assar a carne e pegar mais bebida, além de montarem uma mesa muito grande no quintal e cuidar do churrasco.
Nós, as crianças, estávamos sempre correndo ao redor da casa. Meus primos e eu temos pouca diferença de idade, nos divertíamos juntos, éramos confidentes, melhores amigos, por mais que mal tenhamos contato hoje em dia.

Lembro-me que sempre íamos comer tarde, ou bem depois da hora que eu já deveria estar dormindo, e eu adorava essa permissão extraordinária pra ficar acordado até mais tarde. Por vezes dormíamos todos juntos, em vários colchões espalhados pela sala, era um tempo muito agradável e que me causa muita nostalgia.

O jantar em si era rápido, delicioso! Mas o ritual de reunião familiar e o compartilhar o alimento eram sem dúvidas o que realmente importava. Algumas vezes o evento durava três ou mais dias, na semana entre natal e ano novo. Lembro que ficava muito ansioso nos dias que antecediam o evento e eram dias de muita festa.

São questões indissociáveis pra mim: cinema, tempo e memória. Imagem, movimento e registro.
Fora toda a significação que há por trás disso, que na maioria das vezes é inconsciente, acho que é disso também que estamos querendo falar.