o bode é o processo

um bode amistoso, mascador…

– figura, esse bode!

reflitam…

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Referencias visuais e outras viagens coloridas

Sei que está um pouco “em cima” o que eu vou mandar, mas só pude me debruçar de verdade na minha pesquisa de imagem para o filme agora, também porque agora parece que tudo tem ficado mais claro na minha cabeça. Mas antes tarde do que nunca! – como diria alguém atrasado e perseverante. Fiz uma pesquisa para trazer em imagens, coisas que gostaria que compuséssemos juntos para o figurino e a arte, no geral, para o No Penhasco. Depois de fazer uma busca pelas minhas imagens, acabei por esbarrar numa página onde encontrei boas imagens, tanto quanto às cores tanto pela expressividade delas de maneira integral. O site era um mapeamento do expressionismo, que se utilizava de algumas imagens para completar o entendimento desse movimento em diversas artes e autores. O que me levou a isso foi a busca pelo paleta de cores lúgubre, e ao mesmo tempo, vibrante. Notei que muito do que eu buscava em tons estava nas pinturas expressionistas, a mistura do sagrado e do profano, loucura e lucidez e assim por diante (tchururururu).

Com isso fiz uma paleta de cores, com essa limitação digital de umas cores meio estranhosas, mas enfim… não dá também pra por florido nessa paleta. A gente vai se contentando. É mais para… inspirar!

Seguem as partes que mais me interessaram, no sentido de que o texto traz uma informação mais formal, mas que podem ser interessantes, e as imagens são coisas que correspondem aos tons que sugiro para trabalharmos:


”O movimento surge como uma reacção ao positivismo associado aos movimentos impressionista e naturalista, propondo uma arte pessoal e intuitiva, onde predominasse a visão interior do artista – a “expressão” – em oposição à mera observação da realidade – a “impressão”.

O expressionismo compreende a deformação da realidade para expressar de forma subjectiva a natureza e o ser humano, dando primazia à expressão de sentimentos em relação à simples descrição objetiva da realidade. Entendido desta forma, o expressionismo não tem uma época ou um espaço geográfico definidos.”

“O expressionismo defendia a liberdade individual, o primado da subjectividade, o irracionalismo, o arrebatamento e os temas proibidos – o excitante, diabólico, sexual, fantástico ou perverso. Pretendeu ser o reflexo de uma visão subjectiva e emocional da realidade, materializada através da expressividade dos meios plásticos, que adquiriram uma dimensão metafísica, abrindo os sentidos ao mundo interior.”

Fränzi perante uma cadeira talhada (1910), deErnst Ludwig Kirchner, Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid.

“Os expressionistas utilizavam a arte como uma forma de refletir os seus sentimentos, o seu estado anímico, propenso pelo general à melancolia, à evocação, a um decadentismo de corte neorromântico. Assim, a arte era uma experiência catárquica, onde se purificavam os desafogos espirituais, a angústia vital do artista.”

Tirol (1914), de Franz Marc, Staatsgalerie Moderner Kunst, Munique.

“Outro dos referentes da arte expressionista foi a arte primitiva, especialmente a da África e Oceania, difundida desde finais do século XIX pelos museus etnográficos. As vanguardas artísticas encontraram na arte primitiva uma maior liberdade de expressão, originalidade, novas formas e materiais, uma nova concepção do volume e da cor, bem como uma maior transcendência do objeto, pois nestas culturas não eram simples obras de arte, mas tinham uma finalidade religiosa, mágica, totêmica, votiva, suntuária. São objetos que expressam uma comunicação direta com a natureza e com as forças espirituais, com cultos e rituais, sem nenhum de tipo de mediação ou interpretação.”

Paul Cézanne, que começou um processo de desfragmentação da realidade em formas geométricas que terminou no cubismo, reduzindo as formas a cilindros, cones e esferas, e dissolvendo o volume a partir dos pontos mais essenciais da composição. Colocava a cor por camadas, imbricando umas cores com outras, sem necessidade de linhas, trabalhando com manchas. Não utilizava a perspectiva, mas a superposição de tons cálidos e frios davam sensação de profundeza

The Abduction, Paul Cézanne, 1867.

Ernst Ludwig Kirchner

fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Expressionismo

pular do penhasco, a beira do abismo e o meio-fio

Há alguns meses eu encontrei este vídeo. É uma espécie de curta metragem promocional, que reúne trechos de um documentário de 40′ sobre franceses praticantes de base jump slackline – que eu adoraria chamar, simplesmente, de “corda bamba”, sem que parecesse uma birra com estrangeirismos.

O vídeo tem planos lindos, embora recheado de clichês de filmes esportivos. Mas o que me interessa, especialmente, a par o cenário, é a velha questão da vertigem (se estiverem sem tempo/paciência, adiantem até 10′ e pouco! Vale a pena!) provocada pelo “risco”: equilibrar-se no meio-fio não é como equilibrar-se à beira do penhasco. Ambos são limites, beiras, beiradas. Mas o que está em jogo faz toda diferença.

– ’tá vendo aquelas formações lá? Então, é lá que a gente quer chegar!

Domingo passado iniciamos a pesquisa de locação para a cena do jantar no penhasco. Visitamos lugares mais próximos como a pedreira Paulo Leminski ou o Parque Tanguá apenas para nos certificar de que não estaríamos descartando uma possível locação de logística fácil simplesmente por ser ao lado de casa. A falta de um penhasco propriamente dito [ainda quero explorar melhor esta definição] e a paisagem urbana afastaram de vez tal hipótese.

Fomos, então, em direção ao segundo planalto, guiados pela memória das formações rochosas da região de São Luiz do Purunã e por uma pesquisa breve feita no Google Earth.

Fizemos uma primeira tentativa na estrada que dá acesso à Sociedade Thalia e encontramos um primeiro penhasco, que tinha até uma queda d’água meio escondida pelo mato! Dali, tínhamos vista para um outro penhasquinho, de acesso aparentemente fácil. Os inconvenientes eram uma serraria logo abaixo, um tanto predominante na vista, e um poste postado justo à beira do penhasco.

Percorremos a Estrada da Faxina buscando as Escarpas do Açungui, mas não nos pareceu que haja um acesso fácil até elas.

Chegamos, afinal, a uma locação bastante adequada, um ponto visível da estrada e que chama bastante atenção, à esquerda do viaduto antes do pedágio. São uns paredões em que eu reparo desde criança, quando passava por esta estrada rumo à casa dos meus avós, então vivos e morando em Cruzeiro do Sul, norte do Paraná. Como bem observou a Tamíris, esta busca é sui generis porque os escarpados são uma espécie de não-lugar [esta expressão eu trouxe agora], ou ao menos lhes falta o aspecto institucional [este termo foi que a Tamíris usou] que dá nome aos lugares, que os torna acessíveis, referenciáveis. Foi, portanto, assim que conseguimos acesso aos portentosos penhascos dificílimos de ignorar por quem quer que trafegue pela 277 sentido interior: “Como é que faz pra chegar lá?”, foi a pergunta que fiz à prestativa funcionária do pedágio.

Mais ou menos instruídos, fomos primeiro a um ponto de onde se tinha uma vista das paredes, do outro lado do vale, em relação à estrada. Quando nos dirigimos, afinal, aos penhascos propriamente ditos, descobrimos que são um ponto de prática de escalada e que o acesso é bastante fácil, sendo possível chegar de carro até bem perto de onde seria ideal gravarmos [à beira do abismo]. A D. Elza, que tem uma propriedade numa área em frente ao campo que desemboca nos paredões, não sabe de quem são as terras mas falou que o acesso ao lugar é livre e que não haveria problema em visitarmos o local ou filmarmos ali. Cogitei que talvez a porção elevada pertença aos terrenos lá de baixo e que por isso, talvez, a D. Elza não conhece os donos. Essa idéia reforça a noção do penhasco como uma espécie de não-lugar.

[a continuar: – prós e contras do melhor lugar até agora; – o que ainda há que ver?; – o que é um penhasco?; – à beira do abismo!]