determinando dramaturgia(s)

[ATENÇÃO: ALTO DE NÍVEL DE SPOILER VISIONÁRIO DE UM FILME QUE AINDA NÃO EXISTE

Esse promete ser um post longo e cheio de informações explícitas sobre o futuro conteúdo do filme. Tome a decisão de lê-lo conscientemente caso seja um futuro espectador.]

Nos últimos encontros começamos a definir acontecimentos numa linha do tempo que tem como base a luz do dia, definindo três momentos: a claridade, o pôr do sol e a noite. A diferença, a especificidade e a relação entre o que acontece em cada um destes momentos nos tem sido definitiva em divagações e definições sobre este filme. Também pudera – além do fato de termos como locação uma externa exuberante, onde a luz se coloca imperativa, paira no ar desde o início um gosto pelo fantástico que logo agarrou-se ao que o escuro tem a oferecer em contraponto com a luz a nível de possibilidades de imagens e ações. Possibilidades estas que nos levam a repetir cada vez mais durante os encontros de criação “Tá ficando cada vez mais bizarro” ou “Estamos loucos”. Agradeço por isso, penso num verso do Secos que gosto especialmente, que o vinho quente do coração nos suba à cabeça. Está subindo. E nossas idéias se alimentam umas nas outras. A loucura que nos invade é o próprio estado de espírito daqueles que visionam uma imagem. É muito mais importante, ao menos agora, buscar e se entregar a esta loucura do devaneio do que racionalizá-la. Pela potência do mistério, seguimos.

Superada esta introdução, este texto pretende sumarizar e sintetizar uma pequena escaleta dramatúrgica que será base para um exercício de todos que agora se engajam na construção deste filme – o de escrever, de fato, cenas, com cabeçalho, diálogos, rubricas e todo o pacote de convenções estruturais de um roteiro.

O primeiro momento está naturalmente mais desenvolvido porque textos próximos de cenas já foram escritos sobre as chegadas.

DIA

instauração – chegadas – criação da tensão (medo) ainda sem direcionamento – relações flutuantes

montagem paralela: imagens de estrada captadas de um carro em movimento / planos próximos de um corpo que escala uma pedra / o carro estaciona numa estrada de chão, em frente a uma porteira  / P1 (Ana) ancora-se no topo do penhasco, olha em volta, ambienta-se / P2 (Fabiano) anda por um campo aberto / P1 senta-se a mesa, tira seu abrigo de escalada – há um espantalho na cabeceira da mesa e comidas negras servidas / P2 chega ao penhasco

P3 (Isadora) está deitada encostada numa pedra, perto do penhasco, mas não nele. Acorda meio amassada, prepara-se, passa carvão sobre o rosto como maquiagem. Cambaleia até o penhasco, senta-se.

P4 (Ailen) chega dando boa tarde a tudo e a todos, espreguiça-se sob o sol. Senta-se.

P5 (Silvia) chega ainda não sabemos como.

(a ordem pode variar)

Eles falam. O que falam? São muito particulares, como são? Superam o medo e comem. O Sol começa a cair

PÔR-DO-SOL

silêncio – a refeição continua e termina. a tensão chega ao seu ápice e revela a origem do medo que será “eliminada” – o espantalho é jogado do penhasco bem no limite da noite.

NOITE

escuro – lado negro – inconsciente – cuspir/vomitar – relações mais estabelecidas

alguém pensa em se jogar

como eles se vão? se vão?

(momento adicional de uma estrutura circular: NASCER DO SOL)

P6 (Ricardx) carrega os pedaços de um móvel, uma mesa, pelo campo, chega ao penhasco, monta a mesa, uma toalha por cima, comidas negras sobre a mesa. Senta-se à cabeceira, vira um espantalho.

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