A Queda (2)

A noite cai no penhasco.
Todos caem.
Como cúmplices.
Da mesma ficção de queda.
Nunca estável.
Sempre caindo.
Sempre infinita.

A noite cai em todos.
Todos caem.
Um nos outros.
Em hediondo afeto.
Na afirmação conjunta
De contradizer-se.

O chão cai.
No buraco sem fim.
Todos terminam comidos
Pela escuridão que engoliram.

Sem digestão.
Sempre comendo.
Um aos outros.
Sempre caindo
Em hediondo afeto.

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