Silêncio no penhasco. Silêncio perigoso.

Sua mão ferida e roxa crava forte os dedos trêmulos no topo plano da pedra. Unhas curtas e pretas de sujeira. Ela trás seu rosto franzido dentes apertados a mostra. Os cotovelos chegam aliviando os olhos e dando encosto ao queixo. A barriga, as pernas. A mochila. Uma olhada no silêncio do penhasco, um suspiro satisfeito e duas ou três meia-voltas na luz perfeita da manhã. Uma gargalhada meio chorosa. Um grito ecoante de comemoração. E então caminha esimesmado com um sorriso aberto. Vemos seu rosto feliz voltado para baixo em primeiro plano enquanto a paisagem ao fundo passa. São sete passos. Nosso olhar se abre no mesmo momento de seu sentar à mesa cuja ponta é ocupada pelo Espantalho Anfitrião, voltado de frente para a linda vista. Eles se olham, a recepção é espantosa. Silêncio do penhasco. Silêncio perigoso. Cortado pelo mato que se move e que se quebra. Furtiva, ela chega ofegante e apavorada. Pára. Brilham as lágrimas no seu rosto e o sangue nos trapos que veste. Fica a respirar como se não pudesse mais. Até que chora, desesperadamente, caindo de cócoras. Os outros dois não lhe olham. Ela diminuiu o choro, junta suas forças, respira lentamente, e lentamente se põe à mesa. Silêncio no penhasco. Silêncio perigoso.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s