A queda

Tenho os pés expulsos do chão, mas não caio. O vale no fim do penhasco é fim impossível. A morte, no fim, vertical, fixa os negros olhos em mim.

Campo de força.

O ar corre o tempo não. Pela minha traquéia, macio e sem som o tempo não. Pelo céu branco, condensado, o céu imóvel que pende incorpóreo e branco pela minha pele, sem peso, sem toque.

 

Se eu pudesse me mover

 

Não poderia

 

O céu cai. Cai, cai, cai.

Cai.

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2 thoughts on “A queda

  1. Eu tinha escrito isso em janeiro, por conta das montanhas pelas quais passei no Peru. É claro que foi isto que veio a minha mente quando eu soube desta refeição no penhasco…
    Não acho que o texto em si está bem escrito, mas gosto da imagem: uma pessoa que se joga do penhasco e tudo pára em torno dela, o ar ainda se move mas ela não. Até que por fim, o céu é que cai.

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