Sobre caprinos

Durante esses últimos dias os caprinos do Penhasco têm me assombrado pela ausência. Pela falta de forma. Considerei carinhosamente chamar de caprinos esses habitantes do Penhasco, ignorando parcialmente ou mesmo absolutamente a carga simbólica que esse termo/ser aparentemente carrega.
Houve uma menção em nosso último jantar que achei bastante pertinente: a de tratar de alguma inquietação ou experiência própria na hora de lidar com a personagem ou o ator. Ou a entidade caprina, termo que considero ser algo mais próximo do que está se formando dentro da minha cabeça e que ainda não consigo externalizar de uma forma racional, tanto pra mim quanto pra quem eu quero que entenda a obra – o expectador?
Quem ou o que são esses caprinos? O que fazem e de onde vêm? Por algum tempo essas questões não me eram totalmente relevantes, pois esperava que a obra encontrasse isso por si só em algum momento (e acho que ainda espero), é bom que continuem não sendo daqui pra frente?
Temos poucos dias para começarmos a reconhecer esses caprinos finalmente personificados (não definitivamente), e não sei se seria algo bom propor que até lá cada um compartilhasse as expectativas que tem desse encontro no Penhasco – com as cabras.
A ideia de uma experiência pessoal refletida na tela num primeiro momento me assusta. Falta de costume, pois é algo com o qual estou disposto a trabalhar. Mas é algo que sinto que precise de um trabalho muito minucioso no tratamento, e acima de tudo tempo. Como bom capricorniano que sou, não sei se seria capaz de tratar de uma experiência pessoal com outra pessoa a fim de que ela expressasse o que eu espero sem limitar a liberdade da mesma. Falta-me tato, falta-me tempo.
Mas espero realmente que nesse encontro os caprinos se apresentem como tal, simbólicos que seja. Representando ou sendo o que são, representando eles mesmos. Mais do que representações ou personas. Algo mais.
Caprinos, por vezes solitários por vezes em grupos, reúnam-se! Subiremos o penhasco pelo caminho mais difícil, com a paciência que nos é inerente. E lá no topo, no limite, no que vem antes do além e do desconhecido, um banquete nos espera.

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4 thoughts on “Sobre caprinos

    • Poxa Gus, espero que isso seja bom… O alento, não o medo!
      Na verdade me serve como alento também, quando comecei escrever esse post eu tinha mais um sentimento misto de preocupação e expectativas, mas até terminá-lo o sentimento já era mais esperançoso do que no início… tipo aquela coisa de motivação sabe… haha

      Enfim, estamos todos à beira, o que não é de todo mau! Tem aquela coisa do ‘quase’ que o Veríssimo fala. Portanto quem quase caiu, ainda não caiu (haha)!
      Mantenhamos os pés firmes no chão, ainda tem boa parte do caminho penhasco acima.

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