Problema 3: A palavra “querer” e seu efeito sobre a atmosfera do ensaio e a produção.

Muitos jovens diretores supõe que seu trabalho é saber o quê eles querem e insistir nisso, dizendo coisas como: “agora quero que você cruze o palco e pegue a caneca de chá”. Os atores supõe também freqüentemente que seu trabalho, primeiramente, é fazer o quê o diretor quer. Quão freqüentemente pode um ator perguntar para o diretor: “É isso que você quer?” antes da contribuição daquele ator ser completamente negada? Por que não pergunta, ao invés disso, o quê a peça quer? O diretor e o ator estão então unidos em um esforço mútuo. A palavra “querer”, usada habitualmente e sem consciência de suas consequências, constrói uma relação pai/filho no ensaio. Essa relação pai/filho limita a capacidade, o rigor, e a maturidade no processo criativo e inibe verdadeiras colaborações.

O processo artístico pode ser colaborativo? Pode um grupo de indivíduos com personalidade forte, juntos perguntar o quê a peça ou o projeto quer, ao invés de depender somente da dominação hierárquica de uma pessoa? Claro que um projeto precisa de estrutura e um senso de direção mas pode o líder apontar para uma descoberta ao invés de encenar uma réplica do que ele/a decidiu de antemão? Podemos resistir proclamando “ o quê isso é ” pelo tempo suficiente para autenticamente perguntar: O quê é isso?”

The Viewpoints Book, Anne Bogart – Cap. 2

E no cinema ainda, há uma equipe inteira domesticando sua criatividade naquilo que o diretor QUER. A idéia de perseguir (“bonita palavra: perseguir”) o que a obra QUER me parece ser o centro deste trabalho. Temos uma imagem, ainda não sabemos do que ela está falando, mas temos pistas…

Há de se pensar sobre a distribuição de funções e seus limites possivelmente diluídos ou podemos resolvê-la por delimitar assim a nomenclatura delas: somos todos “algo-roteirista”…

(continua)

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2 thoughts on “Problema 3: A palavra “querer” e seu efeito sobre a atmosfera do ensaio e a produção.

  1. Esta questão da organização, se resolve, de certa forma, com as proposições do post seguinte – a idéia de processo colaborativo. No nosso caso, mantemos as funções tradicionais do processo cinematográfico, porém tendo cada uma das pessoas uma função organizadora dos assuntos da sua determinada área.

    Os meus parêntese finais, que eram a princípio o indício da intenção de concluir eu mesma a questão, continua fazendo sentido pela continuação do Gustavo. Raciocínio colaborativo, mesmo. Bonito.

    • De fato, o meu post deu continuidade ao seu raciocínio e foi uma espécie de registro de algumas noções das quais estamos nos aproximando neste começo de pesquisa. Também estou achando muito bonito, Tamíris. Precisamos mobilizar o próximo jantar…

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